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Custos e orçamento

Quanto custa um evento corporativo em São Paulo: o que entra na conta

Não existe preço de tabela para evento corporativo. O que existe é uma conta com linhas previsíveis, e entender essas linhas resolve mais do que receber um número solto.

Zanatta Eventos8 min de leitura

Você provavelmente chegou aqui procurando um número. Esta página não tem um, e vale explicar o motivo antes de qualquer outra coisa.

Dois eventos de trezentas pessoas, no mesmo mês e na mesma cidade, podem custar valores muito diferentes. Não por margem de produtora, mas porque um acontece num espaço que já tem estrutura e o outro num galpão que precisa de energia, piso, banheiro e climatização. Publicar uma faixa que ignora essa diferença serviria para atrair contato, não para informar quem precisa decidir.

O que dá para fazer com honestidade é abrir a composição: quais linhas existem em todo orçamento de evento, quais delas crescem com o número de convidados e quais não crescem, e o que costuma dobrar o valor de um projeto sem que ninguém tenha pedido nada mais sofisticado.

Por que o custo não cresce junto com a lista de convidados

A intuição de quem monta o primeiro orçamento é dividir tudo por cabeça. Faz sentido para comida e bebida. Não faz para o resto.

Palco, som, luz, painel de LED, projeto de cenografia, equipe de produção e mão de obra de montagem custam praticamente o mesmo para cem ou para trezentas pessoas. O que muda é o tamanho da sala, não o tamanho da operação. Por isso o custo por convidado de um evento pequeno é sempre mais alto: as linhas fixas se dividem entre menos gente.

O movimento inverso também costuma surpreender. Dobrar o público raramente dobra o orçamento, mas em algum ponto o número atravessa um limite e tudo muda de patamar de uma vez. O espaço não comporta mais, e o espaço seguinte tem outra diária, outra taxa de energia, outra exigência de brigadista e, quase sempre, outra janela de montagem.

Custo de evento não é uma reta, é uma escada. Boa parte do trabalho de quem orça está em saber onde ficam os degraus.

As linhas que existem em todo orçamento

A lista abaixo é a estrutura de uma proposta de produção completa. Nem todo evento usa todas as linhas, mas todo evento é orçado a partir delas. Se alguma estiver ausente da proposta que você recebeu, ela não deixou de existir: costuma reaparecer depois, como aditivo.

Espaço
Diária de locação, taxa de serviço da casa, consumo de energia, climatização fora do horário do evento, taxa de rolha quando a bebida entra por fora e, o item mais esquecido, as horas de montagem e desmontagem, que em muitos espaços são cobradas à parte da diária.
Estrutura e cenografia
Palco, praticável, treliça, tenda, piso, painéis, marcenaria, mobiliário e comunicação visual aplicada. A mão de obra de montagem e desmontagem é uma linha própria, não um detalhe da anterior.
Audiovisual
Som, iluminação, projeção ou painel de LED, gravação, transmissão e operação. Equipamento reserva entra aqui, e costuma ser a primeira coisa a sumir quando alguém precisa baratear uma proposta.
Alimentos e bebidas
Buffet, bar, equipe de serviço e locação de louça e utensílio. A diferença entre coquetel em pé e jantar sentado não é só de cardápio: muda o número de garçons, o tempo de operação e a quantidade de mesa e cadeira.
Equipe de operação
Recepção, credenciamento, coordenação de piso, segurança, brigadista, limpeza e apoio. É dimensionada por público e por número de acessos, não por preferência.
Produção e coordenação
O trabalho que acontece antes: curadoria de espaço, cotação e negociação com fornecedor, cronograma, plano de montagem, ensaio e a coordenação durante o evento. É a linha que o cliente menos enxerga e a que mais evita prejuízo.
Logística
Transporte de material, frete, transfer de convidado, hospedagem de equipe quando o evento é fora da cidade e estacionamento.
Documentação e seguro
AVCB do espaço ou projeto temporário, ART de estrutura, alvará quando exigido, seguro de responsabilidade civil e ECAD quando há música. Pesa pouco perto do resto e é o que impede o evento de ser interditado.
Impostos e encargos
Incidem sobre o serviço e sobre cada fornecedor contratado. Proposta que não deixa isso explícito costuma estar comparando coisas diferentes.
Contingência
Uma reserva para o que muda entre a assinatura e a montagem. Todo evento tem alguma coisa, e o orçamento que não prevê essa linha vai cobrar por ela de outro jeito.

O que faz o mesmo evento custar duas vezes mais

Mantendo público, formato e cidade, seis fatores movem o valor mais do que qualquer escolha de decoração.

A data
O fim do ano concentra confraternização, premiação e convenção na mesma janela. Espaço, equipe e equipamento ficam disputados, e preço de coisa disputada sobe. Um evento que pode acontecer em fevereiro custa diferente do mesmo evento em novembro.
A janela de montagem
Espaço que libera o acesso na véspera é uma operação. Espaço que libera seis horas antes é outra: exige mais gente ao mesmo tempo, em regime de hora extra, e equipamento que chega pronto para subir. A conta muda antes de qualquer item da proposta mudar.
O prazo até o evento
Pedido com meses de antecedência permite cotar, comparar e negociar. Pedido com poucas semanas paga urgência em todas as linhas ao mesmo tempo, porque cada fornecedor precisa remanejar a própria agenda para caber.
O tipo de espaço
Um espaço equipado já entrega som, luz, cadeira, cozinha e climatização. Um espaço cru entrega metro quadrado. O segundo parece mais barato na diária e quase nunca é mais barato no total.
O formato
Jantar sentado, coquetel em pé, auditório com palestra e feira interna com estandes são quatro operações distintas para o mesmo número de pessoas.
O risco que você decide eliminar
Gerador de reserva, equipamento redundante em sala e equipe extra de contingência têm preço. Não são luxo, são seguro. A decisão de contratar ou não é do cliente, e precisa ser tomada com clareza, não por omissão da proposta.

Como ler uma proposta de produtora

Comparar propostas de produtoras diferentes é difícil porque cada uma organiza a informação do seu jeito. Cinco perguntas nivelam a comparação.

  • O que exatamente está incluso em cada item? Um item chamado apenas telão não é escopo. Escopo é tamanho, tipo, quem opera, por quantas horas e o que acontece se o equipamento falhar durante o evento.
  • Qual é a lista do que não está incluso? Peça por escrito. É a pergunta que mais economiza dinheiro, e a resposta separa proposta completa de proposta atraente.
  • A partir de que horário conta hora extra, e quanto custa? Vale para o espaço, para a equipe e para cada fornecedor, e vale para cada um separadamente.
  • Quem responde pela documentação e pelo seguro? Se a resposta for vaga, a responsabilidade vai cair no contratante no dia em que alguém pedir o documento.
  • O que acontece se a data mudar? Adiamento acontece. As condições de remarcação precisam estar no contrato antes, e não negociadas depois, quando já não há margem.

Uma proposta bem mais barata que as outras quase nunca é preço melhor. Na maioria das vezes é escopo menor, e a diferença aparece na semana da montagem, quando já não há tempo de cotar de novo.

O que a produtora precisa saber para orçar de verdade

Um orçamento útil depende menos de detalhe criativo e mais de seis informações operacionais.

  • Data, ou pelo menos o mês e se existe flexibilidade.
  • Cidade e espaço, se já houver. Se não houver, o tipo de espaço que você tem em mente.
  • Número estimado de convidados e o perfil deles: equipe interna, cliente, canal, imprensa.
  • Formato e duração, ou seja, o que precisa acontecer e por quanto tempo.
  • O que precisa acontecer no palco ou na tela, quando há conteúdo.
  • A faixa de investimento prevista.

Por que informar a faixa de investimento ajuda você

A última informação costuma travar. Existe a ideia de que revelar o orçamento entrega vantagem ao fornecedor, que vai gastar tudo. Na prática acontece o contrário: sem faixa, a produtora escolhe um patamar por conta própria e monta um projeto que ou não cabe no seu bolso ou fica aquém do que você esperava. As duas hipóteses custam semanas de retrabalho.

Com a faixa informada, a conversa muda de natureza. Deixa de ser uma pergunta sobre preço e vira uma pergunta sobre escopo: com esse valor, o que dá para fazer bem. É a pergunta que realmente interessa a quem vai assinar.

Perguntas

Dúvidas frequentes

Quanto custa um evento corporativo para 200 pessoas?

Depende de espaço, data, formato e janela de montagem. A variação entre dois projetos do mesmo tamanho é grande o bastante para que qualquer valor dado sem essas informações seja chute. Com elas, o orçamento deixa de ser estimativa e vira proposta.

Dá para reduzir o custo sem reduzir o evento?

Quase sempre nas mesmas três frentes: data, espaço e janela de montagem. Trocar novembro por fevereiro, preferir um espaço equipado a um espaço cru ou conseguir acesso na véspera muda o total sem mexer no que o convidado vê.

O que costuma ficar de fora de uma proposta?

Horas de montagem e desmontagem cobradas à parte da diária do espaço, climatização fora do horário, hora extra de equipe, seguro, documentação e contingência. Nenhum deles some do evento: voltam como aditivo.

Com quanta antecedência é preciso começar?

Quanto maior a dependência de um espaço específico e de uma data fechada, mais cedo. O prazo não muda só o preço, muda o que é possível: espaço bom em data disputada é decidido com meses de antecedência.

Assinatura

Quem assina este texto

Zanatta Eventos

Empresa de eventos corporativos, ativações de marca e camarotes em São Paulo. Opera desde 2004 e já entregou mais de 1.500 eventos.

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